Tarifaço dos EUA pode atingir 50 empresas e 10 mil empregos na Região de Piracicaba, diz Simespi

Interior da usina de etanol em Piracicaba (SP) Marcelo Brandt/g1 O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas (Simespi) apontou que o novo tarifaço imposto pelos ...

Tarifaço dos EUA pode atingir 50 empresas e 10 mil empregos na Região de Piracicaba, diz Simespi
Tarifaço dos EUA pode atingir 50 empresas e 10 mil empregos na Região de Piracicaba, diz Simespi (Foto: Reprodução)

Interior da usina de etanol em Piracicaba (SP) Marcelo Brandt/g1 O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas (Simespi) apontou que o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos deve atingir cerca de 50 empresas da Região de Piracicaba (SP), que são responsáveis por aproximadamente 10 mil empregos diretos. O g1 pediu a lista das empresas afetadas, mas o Simespi informou que não pode divulgá-las. 🔎 A medida do governo americano, que entrou em vigor em 24 de julho, determinou que diversos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos passarão a pagar uma tarifa de 37,5%, que é resultado da soma de duas cobranças aplicadas pelos Estados Unidos: uma de 25% e outra de 12,5%. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Segundo dados do MDIC e da Amcham Brasil, Piracicaba é a cidade brasileira com maior exposição à nova tarifa. Na manhã de sexta-feira (7), haverá uma reunião entre o governo federal, com a participação vice-presidente Geraldo Alckmin, e lideranças do setor atingido para discutir possíveis soluções e tentar reduzir os danos econômicos. O que Piracicaba vai pedir ao governo federal A Prefeitura de Piracicaba informou que estará na reunião com o governo federal junto com lideranças do Simespi, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos, secretários municipais de desenvolvimento e empresários do setor de exportação. Segundo a prefeitura, o grupo apresentará uma série de medidas emergenciais ao vice-presidente, incluindo: ampliar as negociações com os EUA para tentar reduzir as tarifas e aumentar a lista de produtos isentos; priorizar máquinas, equipamentos e componentes na lista de exceções; facilitar o acesso das empresas a crédito emergencial e criar medidas tributárias temporárias; criar uma equipe técnica do governo federal para acompanhar os impactos da tarifa sobre produção e investimentos. Por que os EUA aplicaram as tarifas? EUA anunciam sobretaxa de 12,5% para o Brasil Segundo o governo americano, o Brasil e outros países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não fiscalizarem adequadamente a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. A nova tarifa entra em vigor poucos dias depois de outra cobrança, de 25%, começar a ser aplicada aos produtos brasileiros. Nesse caso, os EUA afirmaram que o Brasil adota medidas que "oneram ou restringem" o comércio com o país. Os problemas envolveriam diferentes áreas da relação comercial com o Brasil. Já o governo brasileiro avaliou que as tarifas têm motivações políticas. Entre os pontos citados pelos EUA estão: PIX e serviços de pagamento: o USTR afirmou que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. Regulação de plataformas digitais: o órgão questionou decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticaram tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. Desmatamento ilegal: o relatório apontou falhas na fiscalização ambiental. Mercado de etanol: os EUA alegaram falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro, que também produz etanol. Propriedade intelectual: o documento citou problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes. Combate à corrupção: o USTR criticou medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato. Resposta brasileira O governo brasileiro contestou as justificativas e classificou a medida como política e injusta, principalmente por envolver assuntos considerados internos e inegociáveis, como o Pix. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou aliados a evitar uma reação radical e o governo manteve aberta a possibilidade de negociação. O governo brasileiro também iniciou os trâmites para utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao país adotar medidas contra nações que imponham barreiras comerciais ao Brasil. Até então, porém, nenhuma retaliação concreta havia sido anunciada. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.